Other Face Of The World
Às vezes a gente sonha, sonha e acorda no mesmo lugar onde foi dormir. Às vezes a gente corre rápido demais e tropeça nos próprios pés. Às vezes o superficial penetra pelos poros e a chuva cai inclinada pelo vento. Às vezes abraço alguém que eu nunca mais verei. Às vezes queremos mudar o mundo mas esquecemos de mudar nós mesmos. Às vezes as palavras que colocamos em um papel podem significar, e dizer, muito mais do que as palavras que falamos. Às vezes o inesperado desiste de bater na nossa porta, mas mesmo assim a gente fica esperando. Como se algo estrondoso pudesse acontecer. E quem disse que não vai acontecer? Porque o destino, a vida, os sonhos, e todas essas outras palavras bonitas não estão apenas nos refrões das melhores músicas ou nos melhores versos de um poeta. Estão na outra face do mundo. Aquela que só quem quer consegue ver.

Ana!

Ana era bela.
Mui-bela.
Talvez a mais bela mulher que já conheci.
O seu olhar.
O seu olhar era brejeiro.
E o seu jeito matreiro.
Ela parecia uma criança.
Uma criança ou uma mulher?
Com os seus dezoito anos podia ser considerada uma criança;
mas, seus peitos transluzidos que teimavam em furar-lhe a blusa, suas ancas que lhe requebravam ao caminhar, todo o seu corpo, e que corpo, dava-me a visão de uma mulher.
E que mulher.
Parecia que Afrodite tomava-lhe o corpo e que esse, transformado em mulher, suspirava pelo amor.
Eu via Eros transpirando em seus poros
Seu cheiro…
Andava sempre perfumada;
mas, o seu cheiro exalava o néctar de Baco que tanto me embriagava de desejo.
O mais voluptuoso.
Tudo nela aspirava amor.
Não atraia só a mim.
Por onde passasse , todos a olhavam.
Todos a cobiçavam.
Ana era linda.
Que homem não cortejou aquela menina.
Eu a amava.
Quantos não a amavam.
Ela instigava a todos.
Ela era muito especial.
Era mui-sensual.
Parecia uma bruxa a enfeitiçar quem dela se aproximasse para o pecado do desejo.
Sofríamos por ela.
Por que não se decidia?
Por que só nos provocava com desejos?
Provocava;
mas, não se entregava.
Nenhum homem teve acesso a ela.
Nenhum homem que a vira passar deixou de sonhar com ela.
Ah!
Ela não poderia ser de nenhum deles.
Tão pouco seria minha.
Aquela menina.
Aquela menina, chamada Ana, amava outra mulher.
E a esse amor, entregou-se de paixão.
Paixão incompreendida.
Para a família, amor impossível.
Ana, então, morre na desilusão.
Mas não morreu Ana por causa do seu amor.
O seu amor não a matara.
Ana morreu de desprezo.
Ana morreu desiludida da vida que tanto anelava.
Ana morreu desiludida de seus amigos.
De seus pais que também a desprezavam.
Ana morreu do preconceito que não podia entender o grande amor que teve por…
Laura.
Ana morreu!
E agora?

Saturday, April 12, 2014

Uma parte de mim

Era madrugada e eu estava dentro de um táxi, no banco de trás, deitada no seu ombro e voltando de uma festa. Passamos pela Lagoa Rodrigo de Freitas e você me lembrou como já parecia que anos tinham se passado desde a última vez que fomos naquele lugar e ficamos tão no nosso mundo. Desde então você tem sido o meu mundo.

É louco pensar que parece que faz uma vida que estou com você, quando na verdade só tem um mês e algumas semanas. É mais louco ainda pensar em como eu pude viver tanto tempo sem ter você ao meu lado, como se antes eu não estivesse vivendo mesmo, mas fingindo que estava feliz - e, no fundo, tudo o que eu queria era encontrar a minha outra metade da laranja (e quem não quer?). Às vezes eu paro e penso se tudo isso é real, porque é muito perfeito. Fico me perguntando, também, se eu mereço tudo isso. Tantas pessoas passam por essa vida e não amam, e não são amadas, como eu. Sou muito sortuda. 

De manhã, ao contar as suas sardinhas, eu percebo como é fácil amar - principalmente quando essa pessoa é você. É você permitir experimentar algo, sentir algo, se entregar… sem pensar no futuro, ou no que possa acontecer. É só ser você mesmo, olhar bem nos olhos da pessoa, ser sincero sobre os seus sentimentos e se permitir ser feliz. Muitas vezes pensamos tanto, ou colocamos tantas objeções na frente, que parece que temos medo dessa felicidade. Parece até que ser feliz, nesse mundo, é algo errado. 

Talvez para o mundo eu seja a errada. Algumas vezes eu até penso sobre isso… eu, a ovelha negra da família e a ovelha negra de um mundo tão preconceituoso, que cria rótulos para cada pessoa. Então eu vejo como essas pessoas não são felizes, pois a dádiva do amor não está preocupada com os padrões da sociedade, mas com o sentimento verdadeiro. Dessa forma, eu olho para você novamente, e me enxergo dentro do seu olhar. Você já faz parte de mim agora e, pensar por um só instante na minha vida sem você, é não conseguir pensar na minha existência.

Com todas as mudanças loucas e rápidas que tem acontecido na minha vida, eu ganhei você como presente. Eu poderia ter fechado as portas da minha alma para essa experiência e hoje eu não estaria tão feliz e completa como estou. Até hoje eu não sei como eu tive coragem de cair de cabeça nessa grande aventura, mas não tem sentimento melhor do que saber que foi feita a coisa certa. Chutar o balde para todos os conceitos que eram empurrados goela abaixo, para tudo aquilo que eu pensava sobre eu mesma, não me mostrou apenas a felicidade, entretanto ainda mais quem eu sou - e você tem me ajudado cada dia mais nisso. Hoje eu não penso mais apenas como um, porém como dois. Hoje eu durmo e acordo pensando em você. Hoje, quando o mundo parece estar me engolindo, eu sei que eu terei uma mão para me puxar do abismo. E eu só tenho a agradecer a você por tudo.

Se eu estou agindo errado segundo a sociedade e os seus conceitos ridículos, eu não me importo. Eu sou feliz, eu vivo, eu tenho alguém que me ama… eu achei a pessoa que muitos morrem e não encontram. Hoje, eu posso dizer: eu sou feliz, apesar dos apesares. Eu estou completa, porque é isso o que o amor faz. “Ah, mas um dia talvez não exista mais isso, porque nada é para sempre” - bom, tudo o que eu posso dizer é que me entreguei para esse sentimento. “Quem te garante que você não está se confundindo e apenas querendo viver uma aventura amorosa diferente?” - eu sinto, e de uma forma bem intensa. Se isso for apenas uma aventura, então eu jamais quero sair dela. Serei como aquelas pessoas que viajam pelo mundo, sem lenço e documento, apenas segurando a sua mão - e eu seria completa assim. E o futuro que fique no futuro, pois o meu agora é você. Agora e de manhã, quando eu acordar e pensar que tudo isso é um sonho, até ver que o seu corpo ao lado do meu é muito real. Obrigada por tudo isso. Eu te amo.

Wednesday, April 2, 2014

O passado se faz presente

João estava na sala ao lado, mas os sons podiam ser ouvidos com muita clareza. Ela gritava aos quatro ventos, mas não eram palavras de amor - eram palavras de dor. A dor de alguém que é obrigada a engolir mentiras, a perder a sua liberdade, a não poder andar na rua a hora (e como) quiser. É o grito de quem chora por dentro. Os socos, pontapés, choques e a violência sexual sofrida não chega aos pés da dor de saber que você é mais um, que você não possui direitos, que ninguém saberá o que aconteceu com você, que o futuro realmente a Deus pertence. A dor de saber que ninguém vai te ajudar é muito maior do que qualquer outra, principalmente porque quem deveria zelar por você, não faz isso. 

Essa poderia ser mais uma história, porém não é. É tanta violência que chega a ser irreal. Pois bem: há cinquenta anos era posta, com grande apoio dos setores mais conservadores, uma ditadura que era definida como uma retenção à ameaça comunista. Uma desculpa, na realidade, ao medo de uma sociedade um pouco mais justa, como seria se houvessem sido realizadas as reformas de base. Reformas essas pela qual lutamos até hoje! Foi, então, definido o golpe como algo que seria temporário, mas que se estendeu 21 anos, com uma forte repressão, censura e violência. No início a elite brasileira adorou, pois os torturadores ainda não encostavam o dedo nos seus filhos e a economia parecia estar indo às maravilhas (muitos, inclusive, enriqueceram nesse período) - até começar a inflação a aumentar. Até os seus filhos serem torturados como qualquer outro filho desse Brasil, e não mais como o protegido. 

Não venho aqui refazer a história, porque isso o Google pode fazer. Venho aqui tentar expressar toda a dor que eu sinto ao relembrar tamanho terror. Venho aqui relembrar meu avô, que teve que se aposentar e ir morar em uma cidade do interior para não acabar sendo dado como “desaparecido” como muitos dos seus amigos. Eu lembro da minha madrasta, que teve que fugir da Argentina, quando lá uma outra ditadura foi levantada, ao ser influenciada, apoiada e ajudada pelos militares brasileiros que estavam aqui no poder. Começa a vir na minha memória cada mãe que nunca mais viu o seu filho, como é o caso da Zuzu Angel; cada filho que nunca mais viu o seu pai; cada dor espalhada e cada voz calada - tudo pelo bem estar apenas de alguns, pelo amor ao poder e a violência, pois isso é tudo o que algumas pessoas conseguem amar. 

Dói ainda mais escrever tudo isso 50 anos depois e mesmo assim constatar que muitas coisas ainda não mudaram, principalmente o pensamento de algumas pessoas e a famosa (e idiota) divisão de comunismo e capitalismo, que sempre resulta em discussões sem sentido - apesar de qualquer um que entenda o que é uma ditadura seja contra a mesma, independente da visão política que mais lhe atrai. Será que é preciso viver de novo certas coisas para aprender? Será que os inúmeros relatos, arquivos históricos e livros didáticos já não ensinam o suficiente? Será que existem seres humanos tão incapazes de exercerem o seu raciocínio? São perguntas que eu faço ao ler e ouvir certas coisas. 

Mais triste ainda é, depois de 50 anos do dia em que o presidente João Goulart foi destituído e foi anunciado o golpe militar no Brasil, eu ainda ligar a televisão e assistir policiais, militares, agindo com truculência contra manifestantes. É aquilo: a justiça de transição, acompanhada dos direitos humanos, não foi bem feita no Brasil - e a prova disso é o fato da polícia não ter sido desmilitarizada, como foi feito, inclusive, em outros países da América Latina. Mais louco ainda é ter, em pleno Estado democrático, leis em pauta para serem aprovadas no Congresso Nacional que definem manifestações como crimes de “terrorismo” e “desordem”. Depois de tanta luta, aqui estamos regredindo - ou apenas algumas pessoas tirando as suas máscaras. 

Dessa forma, fico aqui indagando, ao escrever esse texto angustiada, o motivo de ainda não vivermos uma efetiva democracia. Falta de educação e informação do povo? Porque isso também tem influência de cada brasileiro. Porém, não vou atacar a culpa para a vítima: vou mais a fundo. Talvez a resposta para isso seja que, ainda hoje, não possuímos um governo do povo e para o povo, entretanto para uma minoria que governa (mal) esse país - e se aproveita de todos os recursos possíveis para benefício próprio. Tudo bem que, se isso acontece, é porque a maioria votou para que aquela pessoa assumisse um cargo. Mas e aqueles que possuem o conhecimento e o retém? Eles têm voz, eles são a elite. Coloquem isso em prática. Vamos parar com o “umbigation”, como diria a Mafalda.

Assim sendo, a discussão é infinita e muito ainda precisa ser muito estudada e analisada. O que realmente importa, agora, é a memória de todos aqueles que foram torturados, de todos aqueles que precisaram sentir o real medo e fugir para não terem o mesmo destino, de todos aqueles que nunca mais apareceram e nunca foram enterrados de forma digna. De todos os pais que nunca deram um beijo de despedida no seu filho; de todo filho que ficou sem pais. A lembrança precisa estar sempre viva, para que isso jamais se repita. Tudo isso precisa sempre vir a mente de cada cidadão que hoje, apesar dos apesares, não precisa mais viver com medo intenso e sem voz, pois muitos sofreram para que hoje a nossa vida seja um pouco melhor. Essas pessoas merecem palmas, merecem ser heroínas, merecem que a história não se repita. Também merecem a utilização do nosso senso crítico, para que pessoas, que usam/usaram a imagem da luta contra a ditadura para chegarem ao poder - mas esquecem de exercer aquilo pelo qual mais lutaram - , não cheguem mais. Que possamos fazer jus e lutar por mais democracia e pelos nossos direitos. Por uma sociedade mais justa. 

Em memória de todos aqueles que lutaram naquela época, não haverá comemoração ao golpe. 
Para que não se esqueça! Para que nunca mais aconteça!
A cada companheiro tombado, nenhum minuto de silêncio, mas toda uma vida de luta!

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Sunday, March 30, 2014

Eu sou mulher e eu não mereço ser estuprada

Eu estava saindo outro dia, quando ouço a minha mãe dizendo que eu não deveria ir em tal lugar, com tal roupa, a tal hora, porque era perigoso. Porque o número de casos de estupros estavam aumentando. E eu, como boa moça, deveria temer isso e me “guardar”, para que nada de ruim acontecesse comigo. 
Há alguns meses eu estava voltando da praia com a minha prima, quando, ao andar por um bairro de classe média do Rio de Janeiro, com uma roupa mais solta e de biquíni, tive que aguentar uma viatura policial parando ao nosso lado e perguntando se nós, “gracinhas”, não queríamos carona. Não bastando, no outro quarteirão outra viatura fez a mesma coisa. O que fazer nesse momento? Se você responder, é desacato a autoridade. Isso foi de dia. Isso foi feito por quem deveria me proteger de medos que a minha mãe, como dito no parágrafo anterior, sente.
Eu poderia fazer um texto apenas com relatos de todos os assédios que eu já sofri, porém não há necessidade: toda mulher sabe o que é isso. Se você é homem, e não sabe como é sofrer esses atos, basta perguntar para a sua mãe, a sua irmã, a sua tia, a sua avó… a sua namorada. E eu tenho certeza que você não acharia legal ver a sua namorada sentindo-se desconfortável depois de sofrer um assédio na rua.
Entretanto, eu tenho certeza que você, caro homem, já fez um comentário machista e já assediou alguma mulher na rua - principalmente em uma balada. Quantas vezes eu não fui obrigada a “conversar” com um cara na balada, só porque ELE queria e já ia agarrando o meu braço e não querendo soltar? Se eu espernear ainda sou chamada de “nervosinha”. Sim, eu sou nervosinha, mas com pessoas desrespeitosas como essas. Não sou obrigada a conversar com ninguém.
Não é de espantar, após esses relatos, que 65% dos brasileiros achem que mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas. Claro, porque se elas soubessem se comportar, haveria menos estupros. Não é de se espantar que, após tantos atos machistas, algumas pessoas ainda achem que os homens devem ser a cabeça do lar e os casos de violência dentro de casa devem ser discutidos somente entre os membros da família. Afinal, em briga de marido e mulher, não se mete a colher e a roupa suja deve ser lavada em casa, pois o que acontece com o casal em casa não interessa aos outros. Ela que se dê por satisfeita em realizar o sonho de toda mulher: casar-se - como se esse fosse o meu sonho.
Você pode estar pensando: “mas eu não acho isso correto”. Pois bem: segundo a pesquisa do Sistema de Indicadores de Percepção Social (SIPS/IPEA) cujo tema era “Tolerância social à violência contra as mulheres”, 65% dos brasileiros concordaram com tudo o que foi dito acima. 
Depois de tanto ficar indignada com isso (como mulher e como ser humano), cheguei a conclusão, principalmente ao ler comentários nas redes sociais, que SIM, muitas pessoas pensam dessa forma. Talvez até você, que acha que não pensa. Afinal: quantas vezes você achou que a coleguinha que foi com uma roupa mais ousada, não está realmente provocando e “querendo” algo? A culpa, como sempre, sendo da vítima. 
Quantas vezes o pai já não disse ao filho que mulher tem que “pegar” mesmo? O filho pode pegar quantas quiser, a filha não - é “puta”. Porém, quando se fala em estupro, já acham isso um horror! Mal sabem que muitos maridos praticam o estupro ao obrigarem a mulher a transarem com eles, mesmo elas estando cansadas e não quererem. Sim, isso é qualificado como estupro. Pois mulher tem que servir o marido, deixá-lo feliz. Dane-se o que a mulher sente e pensa. 
O estupro, a falta de respeito, o machismo, e tudo o mais envolvido, não é nada de outro mundo. É o mundo em que vivemos, infelizmente. Se o número de estupros aumentou, é porque muitas mulheres estão fazendo jus aos seus direitos e denunciando, pois antigamente os casos eram muito maiores, entretanto, denunciar, era sofrer mais depois - muitas vezes até do policial. Ou, até mesmo, o agressor era o seu pai, ou algum parente/amigo da família - era não: ainda é!
Portanto, a culpa NÃO é da vítima. Eu posso sim vestir a roupa que quiser. Eu posso sim sair a hora que quiser. Sabe o direito de ir e vir prescrito na Constituição? É disso que eu estou falando. Sabe os direitos iguais e o respeito? É isso que falta ser colocado em prática.
A culpa, na verdade, é das pessoas que ainda possuem uma mente conservadora, cujos valores morais e sociais ainda se atrelam a modelos ancestrais - que às vezes cismam voltar - e que, muitas vezes, são ditados por religiões e tradições que em nada se adequam aos novos tempos. Pelo contrário, buscam impor ideias limitadoras das liberdades individuais e a diminuição do papel social das mulheres, deixando a culpa sobre elas, como sempre.
A culpa é de cada um de nós. Desde o pai que educa o filho da forma mais machista possível, até os meios de comunicação que só reforçam isso e do pensamento íntimo que diz que tal mulher na rua está provocando só por causa do vestido que está usando. A culpa é nossa, não da vítima. Nós é que alimentamos isso. E, por esse motivo, cabe a nós mudarmos, através da forma como as novas gerações são educadas, através de como enxergarmos as coisas de forma tão limitada e preconceituosa, pois os 
pensamentos retrógrados não costumam sair sozinhos pelas ruas, trazem todo o tipo de preconceito: social, racial e sexual consigo. 
Sim, as coisas são interligadas. Culpar a vítima é não enxergar o problema. Isso vai do estupro ao assassinato, do roubo às agressões. Contra tudo, mais violência contra os inimigos estabelecidos, já que as “pessoas de bem” não se comportam assim. Desta forma tudo vale contra quem não é igual. O homossexual que sofre agressão homofóbica, o pobre que sofre pela sua situação social, o negro que sofre pela sua cor. 
Precisamos mudar, e precisamos mudar agora. Não basta só postar algo em apoio nas redes sociais, porém depois não mudar as suas atitudes e nem pensar sobre isso. Não adianta ficar injuriado com a forma como um cara na balada se acha no direito de agarrar a sua namorada, quando você depois acha que a menina que teve as fotos vazadas pelo namorado é a errada, ao enviar essas fotos. Não devemos apenas usar palavras bonitas, entretanto também mudar nossas atitudes. Porque ninguém merece ter os seus direitos diminuídos e ninguém merece ter a sua vida limitada por causa de pessoas que não sabem respeitar o próximo e agir como um ser racional. Mas, principalmente: ninguém merece ser estuprado; ninguém merece sofrer qualquer abuso, moral ou físico.



Sunday, March 23, 2014

Um passado que não foi morto e enterrado

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Fui na exposição do Centro Cultural Banco do Brasil, aqui no Rio, sobre os 50 anos do golpe militar, que trouxe 21 anos de violência e repressão. Lá estava eu, observando um quadro que um preso, na época, fez na prisão. É como se eu sentisse tudo o que ele sentia, toda a forma de tortura (tanto física como psicológica), todo o medo e toda a violência que ele sofria. Era como se eu estivesse me teletransportando para aquela época, aquele momento. 
Olhar a capa dos jornais da época e a censura que eles sofriam, era para fazer pensar. Um falava sobre a legalização do aborto, o relacionamento homo afetivo, a luta feminista e os direitos iguais - isso na década de 60. É estranho pensar que tudo isso já era discutido na época, porém nada mudou após todas essas décadas. Foi nesse ponto que eu comecei a fazer uma associação com o passado e o presente, de forma bem intensa.
Da mesma forma que na ditadura os manifestantes eram “terroristas”, ao lutarem contra um regime onde todos pareciam ser da esquerda rival para os militares, onde ninguém tinha voz e a democracia não existia, atualmente os manifestantes são terroristas para governantes que dizem, nas suas propagandas eleitorais, que lutaram contra a ditadura. O mais bizarro: é uma polícia MILITAR que é colocada contra os manifestantes.
Antes os jornais eram censurados, hoje eles censuram - verdades, ideias, vozes e opiniões. Antes a arte andava junto com a política, hoje ela ajuda a alienar ainda mais o povo. Antes uma classe média se achava vítima, fez uma marcha a favor de Deus e dos bons costumes, ajudou a mudar a política de um país… e depois se arrependeu, quando a economia começou a não caminhar mais a favor da sua prosperidade e os seus filhos começaram a sofrer também, ao perderem a sua liberdade.
O mais triste de tudo é perceber que, após os direitos humanos serem usados como uma justiça de transição para que um Estado democrático fosse implantado, hoje ele não passa de uma utopia, que deixa a seguinte questão: direitos humanos para quem? Talvez para quem se acha mais certo do que alguém, a ponto de julgar, de olhar o próprio umbigo e dizer que, no final, são todos “marginais”. 
Talvez a democracia e os direitos humanos existam para aqueles que podem ir onde quiserem (pois tem recursos financeiros para isso), nunca entrou em uma escola pública e não faz parte do lado mais fraco de uma sociedade preconceituosa, conservadora e que vive um falso moralismo. No final, os anos passaram, entretanto pouquíssimas coisas se transformaram. Um exemplo disso é, depois de 50 anos, ainda ter gente planejando uma marcha da família e pregando tudo aquilo que parecia passado. Lavagem cerebral? Talvez. Porém prefiro ser mais realista: o brasileiro, infelizmente, aprendeu muito pouco com a sua história. 

Saturday, March 15, 2014

Aqui estou eu, suspirando

Aqui estou eu, suspirando novamente. O mundo parecia estar mais bonito, só de saber que de manhã eu teria uma mensagem de “bom dia”; o mundo se tornou mais bonito porque eu sabia que tinha alguém ali, que eu podia contar. Não que eu não tenha com quem contar, porém as pessoas possuem suas vidas, seus problemas… seus amores.
Aqui estou, escrevendo novamente sobre o amor. Quem diria. Cheguei a conclusão, ao tentar explicar para um amigo como eu caí nessa de me apaixonar novamente, o que realmente me impedia de amar antes. Sim, eu tinha medo. Quem não tem? Eu tinha medo de novamente confundir tudo, ou ser magoada… ou estar com uma pessoa que só quisesse se aproveitar de mim.
Entretanto agora é tudo diferente. Eu precisei experimentar algo, deixar as coisas acontecerem no seu tempo, quebrar todas as correntes - de uma sociedade insana, dos preconceitos, dos rótulos - e me permitir viver. Quem diria. Logo agora, que eu teria muito mais medo, eu não tenho nenhum. Nunca me senti tão livre e completa como agora. Sim, o amor renova, revive, te faz pensar e te faz ver as coisas além de qualquer rótulo. 
Você olha para a pessoa e não vê o que toda a sociedade vê, mas sim uma pessoa que você gosta (muito), está apaixonada, é incrível e te faz feliz. Às vezes você até pensa no que todos irão dizer, em como será tratada, se será aceita… e então você olha novamente no olho daquela pessoa e pensa: vale realmente a pena abrir mão da minha felicidade, de um sentimento verdadeiro, por pessoas que sequer sabem o que é isso? De repente você tem forças, segura na mão da pessoa e vai, apesar dos olhares ou do que quer que seja.
Há pouco tempo eu diria que nunca iria me apaixonar de novo, que não ia deixar nada mexer comigo… e aqui estou, apaixonada. E eu nem lembro daquela antiga pessoa que dizia isso. 
Sim, o amor é capaz de curar tudo. O amor traz coragem, força, felicidade, faz você olhar para o seu interior e tentar melhorá-lo todo dia. Quando resolvemos experimentar, nos entregar e viver, o resto se torna resto. Parece que o tempo para e todos os problemas somem. E sabe aquele resto? Eles só vão entender quando enxergarem o amor na sua mais pura forma: sem rótulos, sem “certo” ou “errado”, sem preconceitos, sem “eu” e mais “nós”. Se vai dar certo? Eu só saberei vivendo. E se não der, uma coisa é certa: pelo menos eu vivi, eu experimentei, eu fui feliz. Eu estou sendo feliz. E sobre os rótulos: quem se rotula, se limita. Vá ser feliz.

Friday, March 14, 2014

É o Afeganistão, mas podia ser o Brasil

”(…) meu guia me orientou num passeio por Cabul. Parecia que para todo lado onde olhávamos havia desenvolvimento espúrio. Vi poucas evidências de planejamento urbano, ou intenção de tampar as redes de esgoto abertas, ou de construir hospitais e escolas. Em vez disso, a cidade havia assistido a uma erupção de hotéis de alta classe, cybercafes, bares e piscinas, as quais, me disseram, ficavam rodeadas de mulheres europeias de biquíni. (…) O custo de vida em Cabul é tão alto (ou mais) quanto nos Estados Unidos. Antes da invasão dos Estados Unidos, o aluguel de uma casa pequena, perto da cidade de Cabul, custava entre 50 e 60 dólares por mês. Agora, o preço havia disparado para US$ 1.500 por mês. (…)
Todo o assim chamado desenvolvimento não era para os afegãos, nem mesmo para o Afeganistão. Era para as ONGs europeias e americanas, para pessoas que podem bater-papo por contas telefônicas de satélite e conectar seus Sony Vaios nos cybercafes. Esse era o tipo que se hospedava no InterContinental (…) onde os hóspedes podiam deixar US$ 350 de diária por um quarto ou US$ 1.200 de diária por uma suíte presidencial. O afegão médio precisaria trabalhar por mais de quatro anos para ser capaz de arcar com uma única noite ali.
Quando visitei o Kabul City Centre, um maciço megacentro de compras de multimilhões de dólares (…) era ainda a mesma coisa. Europeus, americanos e afegãos que viviam no exterior passavam o tempo fazendo compras de artigos eletrônicos de ponta, roupas de estilistas, pedras preciosas (…). A única moeda aceita era o dólar. Com a estação de férias aproximando-se rapidamente, havia cartazes de ofertas de Natal por toda a parte. Aquilo parecia estranho num país predominantemente muçulmano. 
Fora do gigantesco centro de decadência, era outra história. Os “pashtun” tipicamente orgulhosos haviam recorrido ao recurso de pedir esmolas. Era a única maneira de se beneficiar do grande desenvolvimento que acontecia ao redor. Meninos e meninas afegãos, em roupas esfarrapadas, reuniam-se sob o cortante vento frio de inverno. Estendiam as mãos sujas, na esperança de que um comprador rico sentisse piedade. Alguns, sem as pernas, por causa das minas terrestres, arrastavam o corpo pelo pavimento gelado, mas a maior parte dos visitantes desviava o olhar e caminhava rapidamente para os aquecidos Land Rovers à espera. (…)
Perto das mega mansões de Wazir Akbar Khan estão os cortiços de Cabul, fileiras de casas de barro e esgotos a céu aberto. Eles não têm eletricidade, nenhuma água corrente, nem mesmo qualquer calor para amenizar as temperaturas abaixo de zero. O afegão médio vive em pobreza abjeta. Enquanto passávamos por esse bairro, observei crianças carregando outras em carrinhos de mão e brincando em montes de lixo. Elas não tinham playgrounds, creches ou roupas limpas como as crianças americanas. Menininhos e menininhas corriam para o carro, com os dedos levantados pedindo algum troco. Alguns eram tão pequenos que mal podiam alcançar a janela do carro. 
As crianças do Afeganistão carregam o peso da pobreza da nação. Embora tenha havido melhorias desde que o Talibã foi expulso, o país ainda tem a segunda taxa de mortalidade mais alta do mundo, precedido apenas por Serra Leoa. A grande maioria das mulheres afegãs não recebe nenhum cuidado pré-natal e dá à luz em casa, sem auxílio de uma parteira ou de um médico. Como resultado, o Afeganistão tem a distinção de possuir o maior risco de vida em mortalidade materna. Uma em cada seis mulheres afegãs morre ao dar à luz todos os dias. Uma criança em cada quatro morre antes dos cinco anos. A expectativa de vida para homens é de 45 anos; para mulheres, de 44. Quase 90% das mulheres afegãs são analfabetas. A maioria das mulheres afegãs se casa antes dos 18 anos. Muitas são forçadas ao casamento por várias razões, inclusive para estabelecer feudos ou pagar débitos.” - Mahvish Rukhsana Khan, “Diário de Guantánamo”

Impossível ler o capítulo desse livro e não pensar no Brasil. Tirando a questão da guerra (apesar de ligarmos a televisão e vermos tanques do Exército subindo uma comunidade carente no Brasil - vulgo cenário de guerra), a segregação social e o falso desenvolvimento me trazem uma imagem nítida do Brasil.
Enquanto levantamos hotéis, construímos estádios padrão FIFA e tentamos tapar o sol com a peneira em muitos problemas urbanos brasileiros, para camuflar as cidades para os “gringos”, o REAL povo brasileiro só sente ainda mais. 
Faça uma análise: tente comprar alimentos necessários com 50 reais. Agora pensa comigo: se você já acha que é um absurdo o preço das coisas, que dirá uma família que precisa se bancar com R$1.200 reais por mês. 
Outro dia, ironicamente, ouvi uma pessoa perguntando o motivo de eu não pegar ônibus com ar-condicionado. Ouvir isso de uma pessoa que mora na zona sul carioca é no mínimo um deboche, pois, saindo daquela bolha de local estruturado, com praças e policiamento, a realidade brasileira é bem diferente. Para quê colocar ônibus de ar-condicionado em outras regiões da cidade? Lá não tem turista. Para quê estender o metrô até outras áreas? O povo do Leblon sequer quer pobre “invadindo” a sua praia. 
Isso fica ainda mais evidente quando você para e nota o número de shoppings de luxo que tem crescido no Brasil, e como as pessoas crescem os olhos para eles. Enquanto isso, um professor do Estado ganha 800 reais por mês - o que muitos gastam em uma peça de roupa nessas boutiques. Desenvolvimento para quem? Riqueza de quem? “E o rico cada vez fica mais rico; o pobre cada vez fica mais pobre”.
Copa do Mundo? Não, eu não quero Copa. Eu não quero esses falsos discursos de “país de primeiro mundo e país sem pobreza”. Eu não quero promessas. Eu quero mudanças de verdade e que não sejam apenas para uma faixa privilegiada da sociedade. Eu quero o Brasil para os VERDADEIROS brasileiros, aqueles que trabalham de sol a sol para terem um PISO salarial no mínimo irônico e chegarem em casa, terem que cruzar com um policial com fuzil parado na sua porta, não terem sequer um saneamento básico no banheiro e ainda terem que ouvir que o país “está evoluindo”. 

Thursday, March 13, 2014

A regra agora é ser feliz

Não escrevo há muito tempo, entretanto existe uma explicação para isso. Há tantas coisas acontecendo que tudo o que eu consigo escrever no momento são histórias da vida de uma pessoa: a minha história. Eu posso escrever a história da antiga eu e da atual eu, de tanto que eu mudei. Em um mês eu vivi tanta coisa, aprendi tanta coisa e experimentei tanta coisa, que parece não existir mais aquela antiga garota. 
Desde que iniciei a universidade, eu aprendi uma coisa: quem se rotula, se limita - e é esse lema que tem impulsionado a maioria das minhas transformações. Muitas vezes nos rotulamos tanto, e nos encaixamos tanto em modelos criados pela sociedade, que esquecemos de parar para perceber quanta coisa estamos perdendo, sendo a principal delas a nossa felicidade.
A partir do momento que paramos e observamos o quanto nos limitamos ao olharmos muitas vezes apenas o exterior, e não o interior das coisas, percebemos quanta coisa perdemos ao sermos mesquinhos. Então olhamos o mundo com outros olhos, fora da caixinha. 
Uma pessoa se torna uma pessoa, com suas qualidades e defeitos, e não mais um(a) menina/menino, assim ou assado. Você passa a ver o seu interior apenas e muitas vezes se apaixona por ele, independente do sexo de cada um. A natureza não é mais apenas a natureza, mas é tudo aquilo que tem vida e que move a sua vida. Você se conecta muito mais com as coisas, porque elas não são mais rotuladas… elas são o que elas são, na sua essência mais pura e bonita. 
A única coisa ruim disso tudo é perceber como a sociedade ainda está presa em conceitos, pré-conceitos e a um conservadorismo sem tamanho. Sim, você está se libertando de todas as correntes que te prendiam, como os homens no “Mito da Caverna” de Platão, porém, como viver em uma sociedade julgadora? 
De repente você passa a viver o outro lado da moeda: um lado que sim, ainda é frágil. Um lado dos “diferentes”, dos julgados, dos que precisam ter a sua liberdade e a sua felicidade limitados por causa de uma sociedade medíocre. É como Sócrates, que possuía a luz da sabedoria e de muitas outras coisas sobre a vida, mas foi julgado como “errado” e “louco” por uma sociedade que o fez beber um veneno e se matar (que forma mais insana de matar uma pessoa, não? Como se ela mesma estivesse se julgando). Apesar de Sócrates ter vivido antes de Cristo, é triste constatar que, apesar de nos dizermos tão modernos e evoluídos, nada mudamos. Continuamos em uma sociedade repressora.
O que eu quero disso tudo? Ser feliz, mesmo que para isso tenha que ser julgada e tenha que enfrentar olhares. Pois, aquelas amarras que antes me faziam deixar de olhar meu interior, e a minha felicidade, não existem mais. Eu saí da caverna.

Wednesday, January 15, 2014

Quem está rindo agora?

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Não tem nada melhor do que rir por último. Aquela risada longa e sem hora para acabar, que deixa constrangido aqueles que não conseguem entender a sua alegria - e talvez nunca vão saber, apesar de desprezarem, mas no fundo desejarem poder sentir essa felicidade sem tamanho e única.
Foi assim que eu me senti no dia 13 de janeiro de 2014, dia esse que eu nunca vou esquecer. De princípio eu comecei a chorar, entrava e saía do site, até perceber que sim, aquilo era real. Depois começou a passar um filme pela minha cabeça: todas as vezes que me desprezaram, todas as vezes que riram de mim, todas as vezes que me olharam de cima abaixo… todas as vezes que pensaram que eu seria nada. Também me lembrei de como eu enfrentei isso e passei a ignorar, apesar de às vezes me perguntar porque as coisas eram tão difíceis para mim. Hoje eu sei.
Eu pensava que eu estava descendo degraus ao ir atrás dos meus sonhos, estudar tanto, ralar tanto, me dedicar tanto… ouvir críticas, não me importar tanto com a aparência, não ter o namorado dos sonhos e nem postar mil fotos de festas e muita diversão. Hoje eu entendo que eu nunca desci degrau nenhum para depois precisar subir: na verdade eu só estive subindo. Fazendo uma auto avaliação eu vejo o quanto eu cresci como pessoa, como ser humano, e como amadureci. 
Passar por isso me fez forte, me fez saber ainda mais quais eram os meus objetivos e me fez manter o foco. Porém, o mais engraçado foi ver pessoas que antes se achavam alguma coisa, como último biscoito do pacote, a “bee queen”, a pessoa mais interessante, legal e foda do universo, hoje fazer cara feia para mim. Motivo: eu estou rindo, em alto e bom som, e ela teve que morder a sua língua. 
Por outro lado, foi emocionante receber, por exemplo, a ligação da mãe da minha amiga, me dando parabéns e dizendo que sempre torceu por mim, que sabe que eu vou ser uma vencedora, pois sou esforçada. Outra coisa também linda foi ver ex-professores meus me dando parabéns e dizendo que eu mereço essa vitória, fora a ligação diretamente de Paris que eu recebi de uma amiga, toda emocionada pela minha vitória e dizendo que precisamos comemorar, tomando uma champagne original na “cidade da luz”. 
Tudo isso porque eu passei no vestibular de uma das universidades mais concorridas do país, e a segunda melhor, se não for a melhor. Na verdade, eu passei em quatro universidades, até agora. Talvez eu passe também na universidade estadual, mas estou esperando o resultado. Aí seriam duas federais, uma estadual e duas particulares renomadas. E quem é você agora?
Talvez você ainda continue no seu pedestal, se achando melhor do que tudo e todos, desprezando pessoas, não dando valor ao que tem, não sabendo arregaçar as mangas e correr atrás… entretanto a vida ensina. A vida dá respostas, o mundo gira, oportunidades desaparecem e novos reis surgem. É assim a ordem das coisas. Uma coisa é certa: colhemos o que plantamos, por mais que isso demore. Se você tem um sonho, corra atrás! Não importa o que eles dizem e o que eles pensam: quem são eles? Você pode. Mas não se esqueça que sacrifícios precisam ser feitos, porém nada é em vão. 

Bom, que venha a UFRJ!

Saturday, January 11, 2014

Xeque-mate

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Eu sei que eu demorei muito para escrever o primeiro texto do ano, mas eu estava tentando digerir tudo o que estava acontecendo à minha volta. Que 2014 será um ano de muitas surpresas e mudanças, disso eu não tenho dúvida. Em 11 dias já aconteceram tantas coisas… começando pelo primeiro minuto deste novo ano: tantas palavras sendo ditas, tantos carinhos sendo trocados e tantas verdades aparecendo. Talvez este seja o ano em que as máscaras irão cair. Assim espero. E a vida já começou a dar suas primeiras lições. Vamos ao dilema.
Às vezes você se pergunta que rumo uma amizade está tomando e se ainda realmente vocês são amigos, afinal: ambos mudaram seu jeito de pensar e de agir, indo para lados opostos. Porém, quantas amizades não vão se deteriorando aos poucos, com o tempo? Então você pensa que dando um tempo tudo vai se ajeitar, entretanto não vai - na verdade vocês se distanciam mais. De repente você entende: verdadeiras amizades não são construídas pelo tempo em que existem, e sim pelos momentos em que ambas as partes souberam praticar a empatia; em que ambas as partes souberam deixar de lado as mesquinharias, o egoísmo e reduzir o número de vezes em que se diz “eu” e saber usar mais o “nós”. De repente você se pergunta se havia ali realmente um amigo, ou se tudo aquilo não era uma farsa. 
Talvez tudo se transformou nessa grande bola de neve porque ninguém atirou a primeira pedra para dizer o que realmente sente e tentar, dessa maneira, ser sincero - é a velha estratégia de fingir que está tudo bem, quando na verdade nem amizade mais existe. É o medo de ser o primeiro a falar, acabar arruinando de vez o pouco que resta do relacionamento e ainda sair como o errado. Mas que pouco? Tinha algo? Nesse momento você começa até a se perguntar se o problema não é com você. 
Contudo o pior de tudo é você se perguntar se vale a pena lutar por uma amizade, principalmente quando parece que a pessoa se acha o último biscoito do pacote, acha que é a “bee queen” e todos têm que se ajoelhar aos seus pés e fazer as suas vontades. Bom, talvez o problema não seja comigo - na verdade talvez eu seja a única que enfrente a pessoa e esse seu jeito de ser, ao invés de me curvar. 
Aí você olha para trás e percebe que sim, vocês são pessoas diferentes: alguns aprenderam a crescer, outros não. Assim, você percebe que a única vontade que você tem é de perguntar para a pessoa o que ela vai fazer quando o mundo parar de orbitar ao redor dela - quando ela começar realmente a ver o mundo e perceber que não, ele não gira ao seu redor. Nesse estágio você já está com tanta coisa presa na garganta que tudo o que você quer é realmente se afastar e ficar observando. Como uma presa que observa o seu jantar, o seu modo de se mover e de agir. Agora quem mudou foi você: aprendeu a não sorrir para todos e muito menos confiar, e se entregar, à todos. O xeque-mate vai ser dado, mas quem estava aparentemente ganhando é que irá perder. Uma amizade. 

Tuesday, January 7, 2014
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Todo novo ano que inicia é um convite a uma releitura de si mesmo. Você já passou pelos mesmos janeiros e fevereiros e marços que aí vêm, os mesmos carnavais e páscoas, as mesmas mordidas do Leão, as mesmas estações, o mesmo do mesmo. Se daqui para frente queremos extrair alguma novidade de fato, ela virá da nossa maneira de encarar a vida, de desfrutá-la com mais proveito.

Então, que se oferende flores a Iemanjá, já que rituais de otimismo e fé não fazem mal a ninguém, e que se oferte abraços e bons votos aos amigos, já que a alegria é uma energia que vale a pena ser trocada, e que a gente doe sempre o que temos de melhor, aquilo que nos movimenta – e não o que nos trava.

A timidez, por exemplo. O que a timidez tem feito por você? Ela impede que você se relacione olho no olho, que arrisque uma conversa com um desconhecido, que apresente aos outros seu trabalho, suas propostas, suas ideias. Orgulhar-se da sua timidez, colocando-a num altar, é fazer uma oferenda ao nada.

O que a culpa tem feito por você? Tem impedido você de se responsabilizar pelos seus atos e renegociar com a vida, tem trancafiado você em casa, obrigando-o a lidar incessantemente com questões passadas, tem envelhecido você, consumido você, paralisado você, e você ainda se ajoelha e reza para cultuá-la. Outra oferenda ao nada.

O que a insegurança tem feito por você? Nada. O que o medo tem feito por você? Nada.

O narcisismo, menos ainda. Cultuando esse deus chamado “Eu”, você não olha para fora, não exercita a solidariedade, não considera o sentimento dos outros, não compreende, não perdoa, não evolui. Oferece a si próprio uma homenagem patética, fica preso a uma energia que não circula, não realiza troca alguma. Joga flores para a solidão.

Que em 2014 consigamos romper com nossos receios sobre o que os outros irão pensar de nós, com o que não nos traz retorno, com o que não nos insere no universo de uma forma mais efetiva e bonita. Chega de cultuar impedimentos. Façamos, para variar, oferendas ao risco.

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                        - Oferendas ao nada, Martha Medeiros.
Friday, January 3, 2014
"(…)Quanta coisa linda a gente não nega pra sobreviver num mundo de robôs. (…), mas queria que você soubesse a batalha sangrenta que é não sobrecarregar as delicadezas de fora com a violência de dentro."
                 - Tati Bernardi.
Wednesday, December 25, 2013
Tuesday, December 24, 2013
Querido papai Noel,
tudo o que eu desejo neste Natal não são os melhores presentes. Tudo o que eu desejo não é uma mesa cheia de comida - até porque eu nem como carne, então você já pode imaginar que mais da metade das comidas natalinas eu sequer como. Neste Natal eu não desejo uma casa cheia de familiares… Tudo o que eu queria era paz. Por um minuto.Em 2013 muitas tragédias aconteceram, tanto no Brasil como no mundo. Seja tragédia natural, humana ou política. Vimos democracias caírem, assim como máscaras. Vimos tufão devastando um país, filho matando os pais, país espionando o outro, policiais batendo nos seus próprios cidadãos, governantes rindo disso tudo e andando de helicóptero, enquanto o seu povo padece de ajuda.O que eu quero neste Natal não são familiares julgando familiares, não é aquela disputa familiar idiota que existe na maioria das famílias… eu não quero aquelas piadinhas de mal gosto, aquela falsidade e aquelas perguntas chatas, que muitas vezes fazem você se sentir deslocado. Eu não quero “eu te amo” sendo dito da boca para fora, nem orações sendo feitas para um deus que sabe-se lá se existe - e sabe-se lá se as pessoas realmente acreditam.Eu quero fé sem ser em um deus. Eu quero que os seres humanos tenham fé em si mesmos, em um mundo melhor; eu quero que eles reflitam nas suas atitudes e parem de julgar tanto a do próximo. Eu quero menos expectativa e promessa, e mais realidade… eu quero o agora. Eu quero uma oração de coração, sincera, independente do seu deus, da sua fé, da sua crença e se tem religião ou não.Papai Noel, eu só quero ter aquele espírito natalino. Eu queria ser como a maioria, mas eu não consigo. No Natal eu me sinto ainda mais deslocada, porque eu não consigo engolir tanta hipocrisia, falso moralismo e ficar observando as pessoas tratarem coisas que deveriam ser levadas a sério como algo passageiro, como uma simples tradição.Natal não deveria ser só um dia, mas todos os dias - digo o verdadeiro Natal. Nós deveríamos dar sem receber algo em troca, dar só pelo simples fato de ver alguém sorrindo. Não digo presentes caros, mas digo amor, abraços, sorrisos, confraternização, família (que não precisa ser de sangue). Saber ler a alma do próximo e praticar a empatia.Papai Noel, isso é tudo o que eu peço neste Natal. Claro que eu também gostaria de realizar os meus sonhos, que infelizmente muitas vezes incluem a utilização de dinheiro, entretanto eu já ficaria satisfeita em ver o que eu escrevi nesta carta se realizando - isso me daria um mundo melhor; um mundo onde eu não me sinta tão deslocada e desconfortável, porém com um pouco de esperança. Por favor, me dê esse espírito natalino, que eu tanto busco mas não consigo encontrar e tenho passado a entender o que o Grinch tanto sente.
Que eu consiga encontrar a felicidade, e você também.
Feliz Natal.

Querido papai Noel,

tudo o que eu desejo neste Natal não são os melhores presentes. Tudo o que eu desejo não é uma mesa cheia de comida - até porque eu nem como carne, então você já pode imaginar que mais da metade das comidas natalinas eu sequer como. Neste Natal eu não desejo uma casa cheia de familiares… Tudo o que eu queria era paz. Por um minuto.
Em 2013 muitas tragédias aconteceram, tanto no Brasil como no mundo. Seja tragédia natural, humana ou política. Vimos democracias caírem, assim como máscaras. Vimos tufão devastando um país, filho matando os pais, país espionando o outro, policiais batendo nos seus próprios cidadãos, governantes rindo disso tudo e andando de helicóptero, enquanto o seu povo padece de ajuda.
O que eu quero neste Natal não são familiares julgando familiares, não é aquela disputa familiar idiota que existe na maioria das famílias… eu não quero aquelas piadinhas de mal gosto, aquela falsidade e aquelas perguntas chatas, que muitas vezes fazem você se sentir deslocado. Eu não quero “eu te amo” sendo dito da boca para fora, nem orações sendo feitas para um deus que sabe-se lá se existe - e sabe-se lá se as pessoas realmente acreditam.
Eu quero fé sem ser em um deus. Eu quero que os seres humanos tenham fé em si mesmos, em um mundo melhor; eu quero que eles reflitam nas suas atitudes e parem de julgar tanto a do próximo. Eu quero menos expectativa e promessa, e mais realidade… eu quero o agora. Eu quero uma oração de coração, sincera, independente do seu deus, da sua fé, da sua crença e se tem religião ou não.
Papai Noel, eu só quero ter aquele espírito natalino. Eu queria ser como a maioria, mas eu não consigo. No Natal eu me sinto ainda mais deslocada, porque eu não consigo engolir tanta hipocrisia, falso moralismo e ficar observando as pessoas tratarem coisas que deveriam ser levadas a sério como algo passageiro, como uma simples tradição.
Natal não deveria ser só um dia, mas todos os dias - digo o verdadeiro Natal. Nós deveríamos dar sem receber algo em troca, dar só pelo simples fato de ver alguém sorrindo. Não digo presentes caros, mas digo amor, abraços, sorrisos, confraternização, família (que não precisa ser de sangue). Saber ler a alma do próximo e praticar a empatia.
Papai Noel, isso é tudo o que eu peço neste Natal. Claro que eu também gostaria de realizar os meus sonhos, que infelizmente muitas vezes incluem a utilização de dinheiro, entretanto eu já ficaria satisfeita em ver o que eu escrevi nesta carta se realizando - isso me daria um mundo melhor; um mundo onde eu não me sinta tão deslocada e desconfortável, porém com um pouco de esperança. Por favor, me dê esse espírito natalino, que eu tanto busco mas não consigo encontrar e tenho passado a entender o que o Grinch tanto sente.

Que eu consiga encontrar a felicidade, e você também.

Feliz Natal.

Sunday, December 22, 2013
 
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